03 de outubro (segunda-feira)
Manhã
04 de outubro (terça-feira)
Intervenção Poética: "Poesia Sonora" – Brenda Mars
05 de outubro (quarta-feira)
18:30h
Atividades em Língua Espanhola
Local: Sindiserp
Local: Cachaçaria (Shopping Bento Gonçalves)
Blog do CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, realizado anualmente na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, sempre na primeira semana do mês de outubro. Aqui serão publicadas informações sobre o evento e também artigos e opiniões de poetas que estiveram presentes ao maior encontro de poetas realizado no Brasil
Por Andréa Motta
Em 18 de novembro de 2008, foi apresentada à comunidade literária de Curitiba, a Antologia Poesia do Brasil, Vol.7. O evento idealizado pelo núcleo de Curitiba do Proyecto Cultural Sur/Brasil, realizou-se no Centro de Letras do Paraná, em conjunto com a “Tarde da Poesia” – programação da Academia Paranaense da Poesia.
Estiveram presentes diversas Entidades Culturais do Estado e do Município, Poetas da Capital e do interior, Coral da Petrobrás, artistas plásticos, músicos, membros da Comunidade em Geral, além de diversos autores participantes do Volume 7 da antologia Poesia do Brasil, entre eles: - Adélia Woellner, Andréa Motta, Deisi Perin, Eliane Justi, Lucy Reichenbach, Paulo Karam, Paulo Walbach Prestes e Sylvio Magellano.
Dando início ao evento, a Professora Roza de Oliveira – Presidente da Academia Paranaense da Poesia passou a palavra à Coordenadora do núcleo de Curitiba do Proyecto Cultural Sur/Brasil, que realizou breve explanação sobre a antologia, sobre o Projeto Poesia na Escola e Congresso Brasileiro de Poesia. Bem como, apresentou todos os poetas paranaenses participantes do volume 7, convidando os presentes a declamar um de seus poemas constantes do livro.
Ao final foi efetuada pelos autores, doação de diversos exemplares do livro, para o Centro de Letras do Paraná e Academia Paranaense da Poesia - Entidades apoiadoras do evento.
Foram indiscutivelmente momentos de ímpar emoção e alegria.


CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA FAZ ENTREGA DAS ANTOLOGIAS 2008 PARA AS ESCOLAS DE BENTO GONÇALVES
Dando continuidade ao projeto “Poesia na Escola”, o presidente do Proyecto Cultural Sur/Brasil, e também coordenador do CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, Ademir Antonio Bacca, fez a entrega do primeiro lote de exemplares das antologias POESIA DO BRASIL (volumes 7 e 8), POETA, MOSTRA A TUA CARA (volume 5) e POEMAS À FLOR DA PELE. Juntos, os quatro volumes totalizam 1.472 páginas e reúnem 277 poetas, brasileiros e estrangeiros. O lançamento oficial destas antologias aconteceu em outubro, dentro da programação oficial do evento.
A solenidade de entrega dos livros aconteceu na Biblioteca Pública Castro Alves e na oportunidade foram entregues 500 exemplares. Assim que todos os autores tiverem recebido os exemplares a que tem direito pela sua participação nas antologias, os livros restantes também serão entregues à Biblioteca, que é quem fará a distribuição dos mesmos às escolas do município.
No registro fotográfico, o momento em que a diretora da Biblioteca Castro Alves, Eunice Pigozzo, recebia os exemplares das antologias do coordenador do CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA.
Em janeiro, o Proyecto Cultural Sur/Brasil abrirá as inscrições para os volumes 9 e 10 da coleção POESIA DO BRASIL e 6 da POETA, MOSTRA A TUA CARA.
“Que acontece quando se solta uma mola comprimida,
quando se liberta um pássaro,
quando se abrem as comportas de uma represa?
Veremos...” (Gilberto Gil)
ACONTECE O CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA!
ANDRÉA MOTTA (Curitiba)
Idealizado e comandado por Ademir Antonio Bacca, realizou-se de 06 a 11 de outubro o XVI Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul. O evento que ultrapassa as fronteiras da Serra Gaúcha reúne poetas, atores, músicos e artistas plásticos dos mais diversos Países e Estados brasileiros e transforma a pacata cidade de Bento Gonçalves no lugar de encontro de todas as vozes, de todos os sonhos e de todos os poetas.
Foram dias de intensa celebração cultural, em que o envolvimento da população, em especial dos alunos e professores das redes pública e privada de ensino foi o ponto culminante.
O contato direto da comunidade com o movimento literário e poético nacional e internacional, através dos projetos, Poetas nas Escolas, Poesia na Vidraça, Oficinas de Poesia Visual dentre outros proporcionou a todos, momentos de puro êxtase. Momentos de gargalhadas e de lágrimas. De emoção e aplauso. De crianças preocupadas com o amanhã literário, como Tainá e Emanuelle, ambas com 11 anos, que na raça fundaram a mais nova biblioteca do Rio Grande do Sul – a Biblioteca Comunitária Mário Quintana. Momentos de talento e mais talento, de tanta beleza, de pássaros livres e comportas abertas.
Indiscutivelmente é desta troca de experiências que surge a inspiração, o novo. E apesar de todas as dificuldades, de tantas vozes contrárias à difusão da Poesia, vemos esta a cada dia mais viva. O Congresso Brasileiro de Poesia, a cidade de Bento Gonçalves e o guerreiro Ademir Bacca são a prova disto.
Parafraseando Ronaldo Werneck, digo: “Eu volto. Voltamos todos no ano que vem, num só (as)salto poético, num só vôo – aves, aves! – sobre as serras e ruas de Bento Gonçalves”.


Catulo Fernandes
Os versos do poeta Castro Alves que dão título a este texto retratam com precisão a importância de quem escreve e daquele que oportuniza o contato com a literatura. Com este propósito de estimular a leitura o Proyecto Cultural Sur/Brasil iniciou uma parceria com a Casa do Poeta de Camaquã (CAPOCAM), durante XII Semana da Poesia.
A poeta Cláudia Gonçalves, coordenadora do Proyecto Cultural Sur/Brasil (Projeto Livro na Escola) juntamente com a presidenta da CAPOCAM, Erotildes Citrini, o vice-presidente Onélio Lopes Chagas e a artesã Guel Fernandes, esteve em duas escolas na zona rural: Rui Barbosa e 15 de Novembro, e três na área urbana: Mahatma Gandhi, Marina de Godoy Netto e Ana Tomázia Ribeiro.
Conforme a ativista, a iniciativa que contou com o apoio do Congresso Brasileiro de Poesia e da Editora Alcance deve ter continuidade, e durante o ano outras escolas também receberão doações.
O objetivo do projeto não é somente entregar livros. Em todos os educandários houve uma integração com alunos, professores e diretores, que participaram de uma roda de poesia. Neste sentido o papel da Secretaria Municipal de Educação foi fundamental preparando as escolas para receber os poetas. Segundo Cláudia, todas as escolas visitadas demonstraram que a leitura está sendo trabalhada em sala de aula, e citou como exemplo a escola municipal Rui Barbosa, que este ano realiza seu 5º recital de poesia. ”Foi um presente atuar neste projeto com a CAPOCAM. Percebi que esta entidade está preocupada com a cultura coletiva, e não na promoção individual de seus autores. Em Camaquã se cultiva poesia”, ponderou.

Fernando Pessoa:
Alguém melhor que Ele mesmo
Brasigóis Felício
“A constituição do seu espírito condenara-o a todos os anseios. A do seu destino, abandoná-los todos”. A aparente oposição entre destino e espírito em uma só pessoa é um truque ou recurso estilístico inerentes à personalidade pluriforme de Fernando Pessoa. Tal frase está entre os papéis guardados no baú do grande poeta lusitano – assinado por Bernardo Soares, um de seus semi-heterônimos, tem trechos em que o escrevente entra em litígio direto com Fernando Pessoa-Ele mesmo. Falarei disto mais adiante.
Antes, atenho-me a tecer considerações sobre este abandonar-se do destino que lhe coube (Bernardo Soares, ou Pessoa?) deveu-se ao desassossego de viver, que parece ter sido inerente aos dois. Isto Fernando Pessoa Ele mesmo já declarava, em sua estética da abdicação: “conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isto tora vitória é uma grosseria. Vence quem nunca consegue. Só é forte quem desanima sempre. O melhor e o mais púrpura é abdicar”.
Estranhamente (mas não para Fernando Pessoa) estas reflexões vão na contra mão dos livros de auto ajuda, que tanto bebem, rebuscam e até mesmo manipulam e distorcem as palavras do poeta, a ponto de as tornarem lacrimosas ou simplesmente ridículas. Crime de lesa-autor de que também são vítimas freqüentes Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana, de quem se vê na internet, em PPS melodramáticos, risíveis e até mesmo caricatos – diante dos quais nossos aclamados bardos cometeriam suicídio – se é que não estão a imprecar e deblaterar, do lugar (penso que bom) para onde foram (?) suas almas ímpias, porém piedosas.
Palavras estas, inscritas no Livro do Desassossego, do semi-herterônimo Bernardo Soares, que se contrapõem às de Fernando Pessoa-Ele Mesmo, ao se pronunciar sobre o sentido (ou ausência de) do fazer que, se não resultou em dinheiro, garantiu-lhe glória póstuma. Pois Pessoa assim via o sentido de ser poeta, neste grande e estranho mundo, em que tudo é comprado e vendido, e tem valor assegurado, menos as palavras dos alquimistas do Verbo: “Cumpri, com meu dever, o meu destino ao mundo. Inutilmente? Não, porque o cumpri”.
Aqui Fernando Pessoa-Ele mesmo entra em contradição com o que afirma Bernardo Soares. Se para este “só é forte quem desanima sempre”, e o “melhor é abdicar”, tanto de espírito quanto do próprio destino, para o Outro (na verdade, seu inventor), “Tudo vale a pena/se a alma não é pequena”. E o que importa não é angariar vitórias ou sofrer derrotas, mas cumprir o destino que nos trouxe ao mundo. Talvez as palavras de Joseph Campbel, um mitólogo nosso contemporâneo (um dos mais brilhantes, por sinal) contribua para fazer avançar em síntese a polêmica (aparente oposição) na obra múltipla, ambígua e universal do vate lusitano: “Qualquer mundo é um mundo vivo, e o que importa é trazê-lo (você) de volta à vida. E a forma de fazer isso é descobrir, no seu caso pessoal, onde está a sua vida, e viver”.
“Ver, sentir, lembrar, esquecer”. Em desolada solidão de só viver de mundos mortos, fazemos do existir uma paralisia ativa – uma canção sem vida, por nunca ser percebida. Ao reler O livro do desassossego, meu livro de cabeceira, onde vou buscar lucidez e sabedoria, deparei-me com outra contradição (se é que um poeta, sendo vasto como Ele, não tem direito a contradizer-se, uma vez que sua alma antiga contém multidões).
Em ver com desconfiança o rigor mortis em que se mascaram os reformados (em sua maioria, cadáveres ativistas) Fernando Pessoa pensava como Krishnamurt, filósofo e místico que ele deve ter conhecido, uma vez que Pessoa era teósofo, tendo traduzido quase todas as obras de Anie Besant, que presidiu a Sociedade Teósofica Internacional. Está no Livro do Desassossego: “Se há uma coisa que odeio, é um reformador. Um reformador é um homem que vê os males superficiais do mundo e se propõe a curá-los, agravando os fundamentais. O médico tenta adaptar o doente ao corpo são. Mas nós não sabemos o que é corpo são e o que doente em nossa vida social. E, mais adiante, Pessoa, em estado de Bernardo Soares, verbera: “ O Governo assenta em duas coisas: refrear e enganar. O mal desses termos lantejoulados é que nem refreiam nem enganam. Embebedam, quando muito, e isto é outra cousa”.
Embora fosse Fernando Pessoa-Ele mesmo sabidamente um estudioso de ocultismo, o que está mais que revelado em sua poesia (vide apresentação de Nelly Novaes Coelho à edição de sua obra completa, pela Aguilar Editora). praticante de alta magia e fazedor de mapas astrológicos (para os outros e para si mesmo), utilizando o semi-heterônimo Bernardo Soares, o pluri-vate lusitano é taxativo em condenar o mau estilo dos mestres de sabedoria antiga que conhecia e amava.
Antes de transcrever o seu texto, comente-se: tão cioso era o poeta de seguir o que dizia o mapa astrológico que ele mesmo fazia para cada situação de sua vida, que chegou a desmarcar um encontro com a poetisa brasileira Cecília Meirelles, que ia conhecer, no hotel em que ela se achava hospedada. Ao descer, na hora combinada, Cecília, nossa excelsa e etérea poetisa, também versada em misticismo, encontrou um bilhete que lhe mandara Pessoa. Desculpava-se, não iria ao encontro, pois seu mapa astrológico lhe dizia não lhe dava bons prognósticos. Assim, por simples implicância dos astros, nossa diáfana e excelente poetisa viu-se privada de conhecer o bardo múltiplo incomum, capaz de ser muitos Nele mesmo.
Mas vamos ao protesto do poeta contra o mau estilo dos bruxos desencarnados: ‘O que sobretudo me impressiona, nesses mestres e sabedores do invisível é que, quando escrevem para nos sugerir ou contar seus mistérios, escrevem todos mal. Ofende-me o entendimento que um homem seja capaz de dominar o Diabo e não seja capaz de dominar a língua portuguesa. Por que há o comércio com os demônios de ser mais fácil que o comércio com a gramática? Quem, através de longos exercícios de atenção e de vontade, consegue, conforme diz, ter visões astrais, por que não pode, com menor dispêndio de uma e de outra, ter a visão da sintaxe? Que há no Dogma e no Ritual da Alta Magia que impida alguém de escrever – já não digo com clareza, pois pode ser que a obscuridade seja da lei oculta-, mas ao menos com elegância e fluidez, pois no abstruso as pode haver? Por que há de desgastar-se toda energia da alma no estudo da linguagem dos deuses, e não há de sobrar um reles com que se estude a cor e o ritmo da linguagem dos homens?”.
P.S. Como Pessoa era plural, muitos em um, podia dar-se à pachorra de entrar em debate até consigo mesmo. Direito assegurado a quem com plena consciência e direito, escreveu sobre si mesmo: “Existe em mim alguém melhor do que eu”.
* Brasigóis Felício é autor de diversos livros e um dos mais destacados poetas goianos da atualidade
António Soares, Jaury Peixotto, Pedro Coelho, Santa Inéze, Ademir Bacca e Maria Clara Segóbia